Oração Eucarística nos primeiros séculos

a91d3a72-43a7-43f0-bb4c-14616f0560fd

A oração de Ação de graças é a parte mais importante na Celebração que o presidente da assembleia eleva “pro viribus”. Precisamos levar em consideração a prece de “agradecimento”, de benção, de eulogia, eucaristia, que aparece pela primeira vez na tradição veterotestamentária da berakah.

São orações feitas pelo próprio Cristo, pelos apóstolos, pela igreja primitiva, por todos os cristãos até os dias de hoje.

Substancialmente uma benção articulada em três momentos: Benção Inicial, motivação da Benção e benção final. (Cf. Gn 24,27; Tb 8,17ss; Mt 11,25ss; Jo 11,41; Didachè 9 e 10; acta Ionnis 85 ss; Acta Thomae 49 s.)

Com o passar do tempo não se usa mais o nome hebraico (berakah) e toma a forma grega e recebe o nome de eucaristia a qual em sua totalidade “eucaristiza os elementos da ceia, faz dela Eucaristia, transforma alimento em corpo e sangue de Cristo, constitui a realidade do memorial de sua morte.

Exemplo de Louvor divino: Perì Kosmou (=de mundo: ed. Grega: W.L. Lorimer, 1933). O libelo (nascida no século I antes ou depois de cristo da filosofia eclética do tempo, no âmbito do platonismo médio) descreve em linguagem hinica a ordem e a beleza do universo. Também temos escritos de Fílon de Alexandria, Hermes Trismegisto e outros (Cf. NEUNHEUSER p64)

Na história da liturgia vamos ver que os cristão ao passar dos séculos criaram uma forma especifica de Oração Eucarística para celebrar o memorial de Cristo, desua morte e ressurreição; este material não surgiu do nada, eles usaram o material judaico existente e os transformaram segundo o estilo literário da época helenística(prosa Hínica), religiosa: um tipo estritamente cristológica, onde descreviam a obra da salvação realizada por Cristo, sem referência ao Antigo testamento, privado do sanctus, numa linguagem muito precisa. Também vamos ter um tipo helenístico-cristão e um tipo judeo- cristão. (Cf. NEUNHEUSER, p 66)

O texto latino mais conhecido é o de Hipólito Romano (170-236) que se tornou conhecido devido ao fato do Missal Romano de 1968 ter usado como Oração Eucarística II:

“Nós te damos graças, ó Deus, por teu Filho querido, Jesus Cristo, que nos enviaste nos últimos tempos, salvador e Redentor, porta-voz da tua vontade, teu Verbo inseparável, por meio de quem fizeste todas as coisas e, por ser do teu agrado, enviaste do céu ao seio de uma Virgem; aí presente, cresceu e revelou-se teu Filho, nascido do Espírito Santo e da Virgem.

Cumprindo a tua vontade, obtendo para ti um povo santo, ergueu as mãos enquanto sofria para salvar do sofrimento todos aqueles que em ti confiaram. Se entregou voluntariamente à Paixão para destruir a morte, quebrar as cadeias do demônio, esmagar o poder do mal, iluminar os justos, estabelecer a Lei e trazer à luz a ressurreição.  Tomou o pão e deu graças a ti, dizendo: ‘Tomai e comei: isto é o meu Corpo que será destruído por vossa causa’.

Tomou igualmente o cálice e disse: ‘isto é o meu sangue, que será derramado por vossa causa. Quando fizerdes isto, fá-lo-eis em minha memória’. Por isso, lembramos de sua morte e ressurreição e oferecemos-te o pão e o cálice, dando-te graças por nos considerardes dignos de estarmos na tua presença e de te servir.

E pedimos: envie o teu Espírito Santo ao sacrifício da Santa Igreja, reunindo todos os fiéis que receberem a eucaristia num só rebanho, na plenitude do Espírito Santo, para fortalecer nossa fé na verdade. Concede que te louvemos e glorifiquemos, por teu Filho, Jesus Cristo, pelo qual te damos glória, poder e honra, ao Pai, ao Filho e com o Espírito Santo na tua Santa Igreja, agora e pelos séculos dos séculos. Amém”.

 

 

Referência: NEUENHAUSER, Burkhard. História da Liturgia através das épocas culturais. Tradução: José Raimundo de Melo. Edições Loyola. São Paulo 2007