Outubro – Mês das Missões

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“Revelar o amoroso rosto de Deus”

 

“Ide, ensinai e fazei discípulos” (Mt 28, 18-19). Este mandato missionário de Jesus Cristo dirige-se a cada um dos seus discípulos. Ainda hoje somos chamados a comunicar a Boa Nova que Dele recebemos. Por isso, neste mês em que recordamos a importância da missão somos convidados a entender, aprofundar e vivenciar a dimensão missionária intrínseca ao ser cristão.  Ser missionário não é vocação de alguns poucos, ao contrário, todos são chamados a efetivar seu batismo no seguimento autêntico e no anúncio integral. Portanto, todo cristão possui uma índole missionária que implica a partilha do dom de Cristo.

Uma teologia cristocêntrica nos aponta o modo de agir no âmbito da missão. Quando voltamo-nos para a atuação de Jesus Cristo percebemos em tudo a dimensão salvífica, como agente de transformação da história não absteve-se da realidade. Sua encarnação tornou-se chave de leitura para toda a história do cristianismo, mais ainda, deve ser núcleo vital para todo cristão, referencial para nossa existência. Deste modo, com a finalidade de compartilhar o dom de Cristo – Verbo Encarnado, cabe a nós anunciar “no mundo complexo do trabalho, da cultura, das ciências e das artes, da política, dos meios de comunicação e da economia”[1].

A atividade missionária da Igreja não está em vista de dados estatísticos. A inserção no mundo exprime o caráter que lhe é próprio desde os primórdios. “A Igreja conclama e reza para que mais pessoas, jovens, pessoas consagradas, leigas, possam se dispor a ir ao encontro dos nossos irmãos e irmãs que ainda não conhecem a Palavra de Deus ou, se a conhecem, conhecem muito pouco.”[2]. Portanto, cada cristão é chamado a ser missionário a partir da própria realidade em que está inserido. O compromisso missionário é dever de toda a comunidade que faz a experiência de comunhão com Jesus Cristo. Esta deve ir ao encontro das outras pessoas para revelar o amoroso rosto de Deus.

Neste sentido, já dizia São João Paulo II, em conformidade com o Concílio Vaticano II: “Ao realizar esta comunhão de amor, a Igreja manifesta-se como ‘sacramento, ou sinal, e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano’”[3]. Portanto, a Igreja é este povo congregado na unidade que deve ser sinal eficaz da presença do Cristo Ressuscitado. A compreensão da fundamental relevância deste desígnio missionário remonta à experiência com o “amor fontal”[4]. Por desígnio divino somos cooperadores desta grande obra de difusão do Evangelho, com participação no mistério de Cristo, e segundo a graça do Espírito.

 

REFERÊNCIAS:

[1] DOCUMENTO DE APARECIDA, 2007, n.201

[2] MÜLLER, Dom João Inácio. Deus nos ama tanto que quer nos comunicar tudo de si. Texto: Entrevista concedida à Revista Canção Nova, out/2014 .

[3] JOÃO PAULO II. Carta Apostólica Novo Millennio Ineunte, n.42

[4] Sobre o aspecto trinitário da missão: “A Igreja peregrina é por sua natureza missionária. Pois ela se origina da missão do Filho e da missão do Espírito Santo, segundo o desígnio de Deus Pai”. (Decreto Ad Gentes, n.2). Ainda: C. Vat. II, Const. Dogm. Sobre a Igreja – Lumen Gentium, 1: AAS 57 (1965).