Maria é a mãe de Deus?

cats

Muitas vezes recorremos a Maria mãe de Deus em nossas orações, pois acreditamos que ela está tão próxima de Deus e de nós, que ouve nossos pedidos e intercede por nós. Mas conforme vamos caminhando em nossa fé, muitas vezes podem surgir muitos questionamentos[1], como por exemplo: “como pode uma mulher receber o título de Mãe de Deus, que é Criador, Salvador e Santificador de todos? É possível uma criatura ser mãe do Criador?”[2]

Quando aprofundamos nossos estudos nos quatro Evangelhos, podemos perceber sem sombras de dúvidas a afirmação de que Maria de Nazaré é mãe de Jesus. Em Mc 6, 3 vemos que o povo chamava Jesus de “Filho de Maria”. Mateus em seu evangelho (Mt 1,18) Chama Maria de “Maria, sua mãe”. Em Lucas 1,26-38, nos relata a anunciação do Anjo de Deus a Maria, a futura mãe de Jesus, com muitos símbolos em sua narrativa. São João pelo que podemos ver nem a chama pelo nome, em Jo 2,1 1 19 , 25 a chama de  “a mãe de Jesus. Isabel movida pelo Espírito Santo a chama de ‘a Mãe de meu Senhor’ ‘Donde me vem que a mãe de meu Senhor me visite?’” (Lc1,43) [3]

Maria encontrou graças diante dos olhos de Deus. Pois, para ser a Mãe de Jesus, Filho de Deus, o nosso Salvador, a Virgem Maria “foi enriquecida por Deus com dons dignos para tamanha função” (LG, 56). O Catecismo da Igreja Católica afirma que:  “Desde toda a eternidade, Deus escolheu, para ser a Mãe de Seu Filho, uma filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré na Galileia, “uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria” (Lc 1, 26-27).” (CIC 488)

Podemos afirmar com toda certeza de que Maria é Mãe de Jesus Cristo, não somente de sua humanidade. “Pois em Cristo há uma comunicação tão grande entre o humano e o divino que as realidades profundas vividas por Jesus de Nazaré tocam sua divindade. Não foi somente na natureza humana que ele nasceu, cresceu, aprendeu, viveu, sofreu e se alegrou conosco e por nós.”[4]

O dogma da maternidade de maria surge em meio as discussões sobre a pessoa de Jesus. Os Cristãos dos primeiros séculos buscavam compreender aquilo que acreditavam e debatiam apaixonadamente os temas religiosos. Uma questão não resolvida era esta: Como Jesus, sendo verdadeiro homem e verdadeiro Deus, pode conciliar dentro de si duas dimensões tão diferentes? O Bispo Nestório e seus companheiros da Igreja de Antioquia defendiam que a humanidade e a divindade de Jesus eram realidades distintas e separadas […] em consequência disso, Nestório dizia que Maria só poderia ser denominada ‘parturiente de Cristo” (Cristotókos), e não ‘parturiente do Filho de Deus’. Assim a maternidade daria respeito somente “a dimensão humana de Jesus.[5]

 O primeiro dos quatro dogmas marianos é o da maternidade divina de Maria. Este dogma declara a verdade de fé que Maria é Mãe de Deus, foi proclamado pelo Concílio de Éfeso, no ano 431. Maria recebeu o nome de “Theotokos”, que quer dizer, “Mãe de Deus”. Nestório afirmava que Maria era só mãe do Cristo-homem, porque, para ele parecia absurdo uma criatura ser mãe do criador. Cirilo por outro lado discordava de Nestório afirmando que não podia haver dois Cristos, um homem e outro Deus. Cirilo afirmava com veemência que existe um Cristo só, embora com duas naturezas inseparáveis, portanto, Maria era mãe do Cristo homem e mãe do Cristo Deus. Desta forma podemos concluir que a maternidade de Maria era tão divina quanto humana, verdadeiramente ela é “Theotokos”, Mãe de Deus. O Concílio de Éfeso deu razão a Cirilo e declarou que a posição de Nestório é heresia.

Portanto, negar que Maria é mãe de Deus, é negar a divindade de Jesus, que é uma heresia, conhecida como Nestorianismo.

Pe. Leandro Paulo do Couto

Comunidade Canção Nova – Diocese de Lorena

 

Referências

  MURAD, Afopnso. Maria Toda de Deus e Tão Humana, Compendio de Mariologia. Paulinas – São Paulo, SP; Editora Santuário – Aparecida, SP, 2014

Constituição Dogmática, Lumen Gentium, Vaticano II.

 

 

___________________

 

[1] Cf. MURAD, Afopnso. Maria Toda de Deus e Tão Humana, Compendio de Mariologia. Paulinas – São Paulo, SP; Editora Santurio – Aparecida, SP, 2014, p. 135

[2] Ibid.

[3] Cf. MURAD, Afonso. P 135

[4] Ibidem, p. 138

[5] Ibedem, p 137