Espiritualidade de Santa Clara de Assis

santa clara

Paz e bênção. Santa Clara de Assis, rogai por nós!

Amiga de São Francisco de Assis. Seguiu radicalmente Jesus Cristo, seu Esposo. Contemplativa e grande adoradora de Cristo, presente no Santíssimo Sacramento do Altar.

Sua espiritualidade, um resumo, encontramos na Quarta carta que escreveu para sua amiga e irmã Inês de Praga. Sorvamos um pouco da alma de Santa Clara de Assis:

“9 Feliz, decerto, é você, que pode participar desse banquete sagrado para unir-se com todas as fibras do coração àquele 10 cuja beleza todos os batalhões bem-aventurados dos céus admiram sem cessar, 11 cuja afeição apaixona, cuja contemplação restaura, cuja bondade nos sacia, 12 cuja suavidade preenche, cuja lembrança ilumina suavemente, 13 cujo perfume dará vida aos mortos, cuja visão gloriosa tornará felizes todos os cidadãos da celeste Jerusalém, 14 pois é o esplendor da glória (Hb 1,3) eterna, o brilho da luz perpétua e o espelho sem mancha (Sb 7,26).

15 Olhe dentro desse espelho todos os dias, ó rainha, esposa de Jesus Cristo, e espelhe nele, sem cessar, o seu rosto, 16 para enfeitar-se toda, interior e exteriormente, vestida e cingida de variedade (Sl 44,10), 17 ornada também com as flores e roupas das virtudes todas, ó filha e esposa caríssima do sumo Rei. 18 Pois nesse espelho resplandecem a bem-aventurada pobreza, a santa humildade e a inefável caridade, como, nele inteiro, você vai poder contemplar com a graça de Deus.

19 Preste atenção no princípio do espelho: a pobreza daquele que, envolto em panos, foi posto no presépio (cfr. Lc 2,12)! 20 Admirável humildade, estupenda pobreza! 21 O Rei dos anjos, o Senhor do céu e da terra (cfr. Mt 11,25) repousa numa manjedoura. 22 No meio do espelho, considere a humildade, ou pelo menos a bem-aventurada pobreza, as fadigas sem conta e as penas que suportou pela redenção do gênero humano. 23 E, no fim desse mesmo espelho, contemple a caridade inefável com que quis padecer no lenho da cruz e nela morrer a morte mais vergonhosa. 24 Assim, posto no lenho na cruz, o próprio espelho advertia quem passava para o que deviam considerar: 25 ó vós todos que passais pelo caminho, olhai e vede se há outra dor igual à minha (Lm 1,12). 26 Respondamos a uma voz, num só espírito, ao que clama e grita: Vou me lembrar para sempre e minha alma vai desfalecer em mim (Lm 3,20). 27 Tomara que você se inflame cada vez mais no ardor dessa caridade, ó rainha do Rei celeste! 28 Além disso, contemplando suas indizíveis delícias, riquezas e honras perpétuas, 29 proclame, suspirando com tamanho desejo do coração e tanto amor:

30 Arrasta-me atrás de ti! Corramos no odor dos teus bálsamos (Ct 1,3), ó esposo celeste! 31 Vou correr sem desfalecer, até me introduzires na tua adega (Ct 2,4), 32 até que tua esquerda esteja sob a minha cabeça, sua direita me abrace (Ct 2,6) toda feliz, e me dês o beijo mais feliz de tua boca (Ct 1,1)”.

Bom dia. Abraço.

Dom João Inácio Müller, ofm

Bispo diocesano de Lorena SP